A reforma trabalhista, bem como suas medidas que criaram o trabalho intermitente, a demissão consensual e as mudanças na representação sindical, foram mencionadas pelo relatório para facilitar o ambiente de negócios

O Brasil avançou 16 posições no ranking anual de facilidade para fazer negócios do Banco Mundial e agora ocupa o 109º lugar na lista. De acordo com a instituição, o país liderou a agenda de reformas na América Latina com a introdução de medidas como as que facilitaram a abertura de empresas. Apesar disso, o país continua perdendo de pares regionais e permanece na metade de baixo da tabela que registra, ao todo, o desempenho de 190 nações.

De acordo com o relatório Doing Business, publicado nesta quarta-feira (31) pela instituição, o Brasil facilitou o ambiente de negócios ao criar sistemas on-line para empresas fazerem registros de licenciamento e de emprego. Segundo a instituição, as mudanças reduziram o tempo para abrir um negócio de 82 para 20 dias. A reforma trabalhista também foi mencionada, bem como suas medidas que criaram o trabalho intermitente, a demissão consensual e as mudanças na representação sindical.

Além disso, a instituição avalia que o acesso à informação de crédito também foi facilitado assim como o trâmite do comércio internacional por meio da introdução de certificados eletrônicos de origem. O relatório diz ainda que a cidade de São Paulo melhorou a confiabilidade do sistema de eletricidade ao modernizar a rede com uso de novos softwares.

No detalhamento por item, os melhores desempenhos do Brasil foram registrados nos critérios de alcance à eletricidade (40º no ranking global), proteção a investidores minoritários (48º) e execução de contratos (também 48º). O país vai pior em facilidade para obter alvará de construção (175º no ranking) e no critério pagamento de impostos (184º), que reúne indicadores de carga tributária e de complexidade burocrática para o recolhimento.

Entre os latinos, o México lidera a lista como o 54º melhor país para negócios no mundo, seguido por Chile (56º) e Porto Rico (64º). O Brasil também perde da Colômbia (65º), da Costa Rica (67º), do Peru (68º), de El Salvador (85º), do Uruguai (95º) e da República Dominicana (102º). Já a Venezuela permaneceu no antepenúltimo lugar da lista global, só ganhando das africanas Eritreia (189º) e Somália (190º).

Dentre os Brics, o Brasil está na lanterna. O bloco é liderado por Rússia (31º) e seguido por China (46º), Índia (77º) e África do Sul (82º). O Banco Mundial afirma que, no geral, os países tiveram uma melhora média na facilidade de fazer negócios de quase 19 pontos em várias áreas de regulamentação com avanços em eletricidade e reformas que simplificam processos de negociação.

O ranking é liderado por países da Oceania, Ásia e Europa. Nova Zelândia ficou em primeiro lugar, seguida por Cingapura e Dinamarca (mesmas posições do ano anterior). Hong Kong aparece logo depois, seguido por Georgia e Noruega. Os Estados Unidos caíram dois degraus e estão na oitava posição. Completam a lista dos 10 mais bem colocados o Reino Unido e a Macedônia.

Fonte:
Valor Econômico