Artigo de opinião de Paulo Solmucci* para o jornal Correio Braziliense

O Brasil está muito perto de se tornar o quarto mercado mundial do setor de “food service”, isto é, da alimentação fora do lar. Até o final da próxima década, ultrapassará o Reino Unido. Ficará somente atrás do líder Estados Unidos, da China e do Japão. Há muito que os investidores internacionais do setor vêm olhando o nosso país como a nova fronteira global de expansão dos negócios. Faltava apenas que se definisse o rumo nacional. Eles estão enfim seguros de que há uma nítida opção dos brasileiros pela economia de mercado do século XXI. 

É com essa confiança que os investidores estrangeiros - e também os nacionais - desengavetaram os planos que haviam traçado para o Brasil. A direção do McDonald’s recentemente declarou que até o ano que vem investirá R$ 1 bilhão. A cúpula da rede brasileira Bob’s, por sua vez, deu a largada no seu plano quinquenal, com um investimento de igual montante: R$ 1 bilhão. Fato é que poderia ser enumerado um extenso rol de investimentos imediatos, como, por exemplo, os das redes Madero, Jerônimo, Outback, Giraffas, Habib’s, Taco Bell, KFC, Pizza Hut etc. 

A evidência de o Brasil estar prestes a desbancar o Reino Unido da quarta posição global do setor de alimentação fora do lar é corroborada pelo entusiasmo observado na Bolsa de Valores de São Paulo, que, em dezembro, registrou a mais bem-sucedida oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de 2017. Alcançou o movimento de R$ 2,2 bilhões. A oferta foi realizada pela Burger King. A empresa, sediada no Canadá, em 2010 passou ao controle do fundo 3G, dos sócios da Ambev, Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles. 

Mas, afinal de contas, quais os sinais entusiasmantes que esses investidores receberam do Brasil? Primeiramente, ficou agora evidente que a maioria dos brasileiros guarda imenso apreço pelos valores da democracia representativa e da economia de mercado, com inclusão social. Mesmo com marchas e contramarchas, tanto o Palácio do Planalto quanto o Congresso Nacional refletiram essa aspiração geral da sociedade, por meio, por exemplo, da aprovação da reforma trabalhista. Deu-se, também, a largada em um inédito grande debate público quanto à urgência de ajustes fiscais na União e nos Estados, nucleado na reforma da previdência. 

Outra evidência de que o país claramente optou por uma inteligente e responsável caminhada desenvolvimentista está na qualidade da gestão na política monetária, conduzida pelo Banco Central, cujo sintoma de maior visibilidade foi o recente anúncio de uma inflação de 0,09% em março, a menor taxa mensal desde 1994, o ano do Real. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou a 2,68%. Isto diz muito sobre como estão sendo operadas as demais variáveis, como taxa básica de juros e câmbio. Temos de lembrar, ainda, que 2017 encerrou o ciclo de dois anos de recessão, apresentando o crescimento de 1% no PIB.

De olhos voltados para o Brasil, os investidores igualmente constataram os firmes movimentos do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que estabeleceu como prioridade número um de todas as suas agendas a inserção do Brasil nos fluxos dinâmicos da economia global. Nessa visão estratégica do Itamaraty, que contempla um vasto conjunto de ações, não se pode esquecer a cooperação com as nações vizinhas para a segurança das fronteiras e o consequente combate ao contrabando. A relação do Brasil com o mundo é um capítulo de alta sensibilidade para os investidores internacionais.

É preciso que os influenciadores da opinião pública do país entendam que grande parte dos gestores dos bem-sucedidos restaurantes brasileiros está hoje conectada às inovações das cadeias mundiais, tanto do ponto de vista da tecnologia digital quanto no que se refere aos avançados equipamentos de cozinha, tanto no que diz respeito às tendências de hábitos dos consumidores quanto no que concerne às novas ferramentas de gestão empresarial. Há 15 anos, os dirigentes e associados da Abrasel participam ativamente, em Chicago, da imensa feira promovida pela National Restaurant Association, em um evento denominado NRA Show. 

O extraordinário salto brasileiro no contexto global da alimentação fora do lar resulta de um trabalho de longo curso. Agora, em que as brisas liberalizantes arejam as nossas terras, a gente vê o Brasil brilhando como uma estrela de primeira grandeza no universo do “food service”. O U.S. Comercial Service, organismo do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, designou a Abrasel como organizadora da missão oficial brasileira na NRA Show, que ocorrerá entre 19 e 22 de maio. Neste ano, antecipadamente brindaremos, em Chicago, a ascensão ao quarto degrau do pódio global.

*Paulo Solmucci é presidente da Unecs e da Abrasel

Acompanhe a Abrasel também nas mídias sociais: